Bolsa de Valores no Brasil: conheça a história do mercado de capitais até a chegada da B3

Em 2021 a B3, antiga Bovespa, completou 131 anos. Vamos conhecer um pouco da história da bolsa brasileira e do mercado de capitais nacional, que tem início há mais de duzentos anos.

Vamos ver como se desenvolveu a bolsa aqui no Brasil e o próprio mercado financeiro do país. Vamos contar um pouco dessa história e de como chegamos até aqui, além de comentar alguns eventos e percalços que o mercado de capitais brasileiro passou nestes mais de dois séculos de História.

Bolsas regionais

A bolsa brasileira hoje se resume a B3 – Bolsa, Brasil, Balcão, mas nem sempre foi assim. A B3, até 2017, era a BM&F Bovespa. Antes, até 2008, a Bovespa era separada da Bolsa de Mercadorias e Futuros.

Voltando um pouco mais na história, observamos que o Brasil possuía  diferentes bolsas em diversos estados. A bolsa do Rio de Janeiro, Bahia, Paraná e até mesmo em Santos, com a antiga bolsa oficial do café que chegou a ser a maior do mundo em negócios daquele que era o principal produto agrícola brasileiro.

Além de tantas outras bolsas. No total, ao longo da história, chegaram a existir 27 bolsas estaduais.

É bem interessante como a bolsa começou em terras Tupiniquins a gente vai entender agora.

Atividade econômica no Brasil e o nascimento da primeira bolsa brasileira

historia-b3
Bolsa de Valores sempre esteve no noticiário econômico brasileiro

A atividade comercial por aqui ganhou grande impulso a partir da vinda da família real para o Brasil, em 1808. O que levou as primeiras tentativas de implantação de um mercado organizado.

Surgia então o conceito de praça, de comércio que já tinha algumas características de um pregão organizado embora ainda não oficial e não regulamentado.

Foi em 1817 que a cidade de Salvador testemunhou a inauguração da primeira Bolsa de Valores no Brasil.

Ainda não regulamentada pelo poder vigente e três anos depois foi a vez de iniciar as negociações da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Neste período, Salvador e Rio de Janeiro eram os mercados mais importantes no Brasil.

Nos primeiros anos as negociações nas bolsas se resumiram a serviços de  câmbio e comércio de mercadorias, gado, seguros e fretes de navio (incluindo o tráfico de escravos, permitido na época).

Os primeiros ativos de papel referentes a empresas estatais foram negociados em 1828 e os primeiros de emissão da iniciativa privada no final da década de 1830.

Somente em 1851 que decretos imperiais criaram a junta dos corretores da Bahia baseada na junta dos corretores do Rio de Janeiro criada um pouquinho antes o que trouxe um caráter regimental estabelecendo aí padrões de funcionamento para essas instituições.

O Decreto que criou a junta carioca precedeu a baiana porque a bolsa do Rio recebia mais atenção do Imperador do Brasil Dom Pedro Segundo. Claro por se tratar da bolsa da capital do país na época.

Bolsa de São Paulo ganha espaço

Desde o início a bolsa de Salvador teve um papel de desenvolvimento mais Regional, a exemplo de outras bolsas estaduais. Já a bolsa do Rio teve proeminência nacional durante décadas e foi durante muitos anos a mais importante do Brasil tendo vivido os seus anos dourados entre 1950 e 1960. Período em que formou muitos dos grandes nomes do mercado brasileiro alguns atuantes até os dias de hoje.

Porém após o crash da bolha especulativa brasileira de 1971 foi pouco a pouco perdendo terreno para a bolsa Paulista em participação no desenvolvimento do Mercado de Capitais.

Em 1989, outra crise, agora vinculada à atuação de Naji Nahas, culminou com o enfraquecimento da bolsa fluminense.

Nesta fase, a BVRJ, como era conhecida a bolsa do Rio, perdeu definitivamente espaço para a Bovespa, que passou a ocupar o status de maior bolsa do Brasil e da América Latina.

Apesar de ter sido o núcleo do processo de privatizações do Brasil da segunda metade da década de 1990 e lá terem acontecido os leilões das empresas estatais de telefonia, das mineradoras (como a companhia Vale do Rio Doce) e das Siderúrgicas (como a CSN entre outras), atualmente tanto as bolsas do Rio e da Bahia restringem a atuação somente como bolsas de fomento e desenvolvendo de atividades que visam promover e popularizar o mercado de capitais.

Histórico da Bovespa

A Bolsa de Valores de São Paulo passou a ser a única bolsa nacional a negociar ações. Vamos conhecer um pouco da história da Bovespa.

Em 1843, o então ministro da Fazenda, Alves Branco iniciou uma política econômica de caráter fiscal para financiar as estruturas do estado brasileiro aproveitando assim a estrutura da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro para a negociação dos títulos públicos.

E foi com base nessa política que em  23 de agosto de 1890 o então presidente da província, Emílio Rangel Pestana, fundou a bolsa livre,  o embrião da bolsa de valores de São Paulo.

No entanto, uma grande crise de crédito acabou por afetar a economia, e a bolsa livre fecha as portas pouco mais de um ano depois de ter sido inaugurada.

Depois de quatro anos, em 1895,  nascia a bolsa de fundos públicos de São Paulo. Depois de 40 anos,  em 1935 a sede da bolsa de São Paulo já renomada e foi transferida para o Palácio do Café no centro da capital paulista. 

Neste período ela passou a ser chamada de Bolsa Oficial de Mercadorias e Valores de São Paulo. O edifício que abrigava a bolsa é hoje a sede do Tribunal de Justiça do estado e fica bem em frente ao Pátio do colégio Marco Histórico da fundação da cidade.

Ainda demoraria outros 32 anos para que, em 1967, a bolsa passasse a se chamar Bovespa ou Bolsa de Valores de São Paulo.

Não era a única bolsa do Brasil naquela época, na década de sessenta havia uma bolsa de valores por estado e eram controladas pelas respectivas secretarias Estaduais de Finanças e eram entidades oficiais corporativas.

Já na década de 1970 começaram os primeiros registros eletrônicos na Bovespa. Um pioneirismo importante e foi essa Vanguarda que pavimentou o caminho da Bovespa para o posto de maior bolsa brasileira nas décadas seguintes ganhando o dia após dia mais a confiança dos investidores e das empresas.

Em 1986 nascia a Bolsa Mercantil de Futuros que apesar de jovem teve um crescimento exponencial e logo ganhou destaque por disponibilizar a negociação de produtos financeiros nas mais variadas modalidades.

E foi a tradição da Bolsa de Mercadorias de São Paulo e o destaque da Bolsa Mercantil de Futuros que fez com que, em 1991, ambas instituições unissem suas atividades operacionais fundando a BM&F.

Pouco tempo depois, em 1997, ocorreu um outro acordo operacional com a Bolsa Brasileira de Futuros, que havia sido fundada em 83 no Rio de Janeiro. O negócio fortaleceu ainda mais o Mercado Nacional de Commodities se tornando o principal centro de negociação de derivativos do Mercosul.

Unificação das bolsas, caminho para o nascimento da B3

No marcante ano de 2000 as duas maiores bolsas brasileiras, a Bovespa e a BVRJ trataram de iniciar a unificação das outras bolsas ativas no Brasil.

Além das duas tinha ainda as seguintes bolsas regionais:

  • Bolsa de Minas, Espírito Santo e Brasília;
  • Bolsa do Extremo Sul; 
  • Bolsa de Santos;
  • Bolsa da Bahia, Sergipe e Alagoas;
  • Bolsa de Pernambuco e da Paraíba; 
  • Bolsa do Paraná; e a 
  • Bolsa Regional 

Ficou acertado que a partir daí as ações seriam todas negociadas na Bovespa. Com a bolsa do Rio ficariam apenas os títulos públicos negociados eletronicamente.

Tecnologia muda formato de negociações da Bovespa

A modernização a partir daí foi galopante e quatro outros eventos formataram uma bolsa como conhecemos hoje.

A primeira dessas quatro ocorreu em setembro de 2005, quando aconteceu o fim do pregão viva-voz na Bovespa. Tornando as negociações do mercado à vista totalmente eletrônicas.

No ano seguinte, em 2006, iniciou-se o pregão eletrônico 100% doméstico com o Home Broker, ou os corretores domésticos. Isso deu fim à toda aquela confusão de papéis e corretores falando ao telefone que foram durante muito tempo símbolo do mercado financeiro.

Outra mudança importante ocorrida em 2007 foi a abertura de capital da Bovespa que passou a ter as suas próprias ações negociadas no seu pregão.

Em 2008 veio a terceira mudança e foi celebrada a união com a Bolsa de Mercadorias e Futuros que até àquela altura era uma instituição separada.

A instituição passou a se chamar BM&F Bovespa. No início da fusão os contratos futuros na BM&F ainda eram negociados no pregão viva-voz, mas isso também acabou em 2009. Sendo essa a quarta e última grande mudança que terminou silenciando de vez aqueles salões lotados de operadores com coletes grudados uns nos outros com telefones nos ouvidos naquela gritaria tradicional comprando e vendendo títulos e contratos.

Com isso, o operador que atendia o telefone para executar a compra ou venda da ação acabou perdendo o lugar e a tarefa hoje em dia é feita por meio de terminais instalados nas corretoras de valores. 

Foram dias tristes para muita gente do mercado, afinal de contas muitos trabalhavam por lá. No final da década de 1990 cerca de 1.500 operadores trabalhavam na operação da Bovespa, no saguão de negociações para conseguir fechar as dezenas de milhares de negociações que aconteciam.

Finalmente em 2017 a BM&F Bovespa se uniu a Cetip (Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos) que é a certificadora oficial do mercado e faz os registros dos títulos privados e também atua no mercado de balcão organizado. Daí que surgiu o nome B3 Brasil, Bolsa Balcão.

Índice Bovespa

Curiosamente, o nome do principal índice da Bolsa Brasileira permanece o mesmo: Índice Bovespa. O nome Ibovespa se manteve pela popularidade e pelo reconhecimento histórico da marca.

Este é o contexto histórico da B3, em constante processo de fortalecimento nacional e buscando trilhar o caminho para ter reconhecimento no mercado global.